segunda-feira, 3 de outubro de 2011

“Non est maior defectum quan ignoratio” Parte I

Leitores deste Blog,

Tive ontem a felicidade de reencontrar bem um companheiro de tratamento que, na ocasião, abandonou-o apenas com 18 dias. Depois de recaídas e sofrimentos, ele partiu para um novo tratamento e está limpo há aproximadamente um ano e oito meses. Que bom.
Falei do meu blog para ele e recebi posteriormente um e-mail dele falando do blog e me mandando este texto para que eu o postasse.  O texto é muito bom e um pouco grande, por isto, irei postá-lo por partes.

Boa Leitura.


        Non est maior defectum quan ignoratio” 
        “não há maior defeito que a ignorância”.


Frederico Burlamaqui
(fredkareka@hotmail.com)

                Palavras nem de longe são capazes de demonstrar ou descrever todos os sentimentos. Às vezes, há uma complexidade tamanha que nem quem sente sabe dizer ao certo o que é, muito menos de mensurar a vastidão e o alcance do sentimento. Alguns, menos acostumados a tais situações enlouquecem, ou se entregam a uma vida sem sentido, de autodestruição. Outros passam a ser indivíduos de extrema baixa autoestima, por pensar que são diferentes dos demais, que são incapazes ou fracos. Há os que com boa sorte, conseguem ajuda e a aceitando, descobrem pelo menos como lidar com esses sentimentos.
                Mas há os inconformados. Aqueles que aceitam desafios e são gratos pelo que lhes acontece, que na verdade, sorriem de tudo isso. Aqueles que nem têm noção do tamanho do gigante que devem enfrentar, mas que buscam sabedoria e a melhor maneira de resolver o que sentem, mesmo quando precisam de alguém especificamente nessa jornada homérica – e essa pessoa não quer ajudar nem ser ajudada.

O PORQUÊ DE TUDO ISSO
                Todos têm problemas, dificuldades. Mas há os que têm uma maior inabilidade de lidar com o mundo exterior a si, e muito maior quando se trata do seu próprio interior. Um caos, uma eterna tempestade irrompe constantemente consumindo tudo o que há de bom dentro de si mesmo, dirimindo valores, já distorcidos, e principalmente, a esperança de que um dia tudo isso acabe. Infelizmente, é um número assombroso de pessoas assim. Acredito, pessoalmente, que é a maioria das pessoas. Afirmo isso porque é comum ouvir que ”o melhor é esquecer o que passou”, ou ter uma postura de “eu te perdoo, mas não quero ver você nunca mais”, como se isso fosse resolver algo dentro de si (não resolve). De fato, a psicologia, Freud especificamente, mostra que tudo o que nos acontece vai pra algum lugar dentro de nós, mesmo imperativamente – não controlamos isso. De alguma maneira, vai refletir no nosso comportamento e na maneira que pensamos e encaramos as coisas. Quer seja através de irritabilidade, intolerância, egoísmo, ou mesmo, de falta de amor próprio, dentre infinitos outros.
Alguns evitam falar de si, ou dos sentimentos guardados ou “esquecidos”, na ilusão de que vai se resolver de alguma forma, e não percebem que isso é o mesmo que caminhar para o precipício. Outro erro comum é o cometido pelos que até tentam mudanças, mas erram o foco, buscando realização profissional e financeira, se afundando em trabalho e estudos (em excesso). No campo afetivo, quando há uma grande dor envolvida, buscam o caminho da raiva e da incompreensão, e partem para mais um busca pela “pessoa certa”, ou de ficar sozinho, na esperança de esquecer o que aconteceu e a pessoa causadora da mágoa desapareça dos pensamentos.
Há os casos mais complexos, dos que recorrem a extremos na tentativa de fugir de “nem-sei-o-que-mesmo”, por não entender o que se sente, e encontram nas drogas seu refúgio – e aqui peço licença para falar um pouco de mim (já que é de quem o texto trata, ou pensou que era de você?).


Nenhum comentário:

Postar um comentário